#Work in Progress_Ding Musa | Artista Visual, Vila Madalena

A casa da Rua Fidalga onde começamos o ano do Vitrô nos recebeu algumas vezes desde então. Voltamos para falar com Ding Musa, para ver o que tinha montado na sala expositiva do atelier coletivo, uma pequena exposição de seus trabalhos a qual ele nomeou de individual esquizofrênica. Aproveitamos a deixa e fomos novamente bater um papo com ele.

O trabalho de Ding traz a tona um ar dúbio,  suas fotos exigem um olhar mais cuidadoso, mais examinador. Sempre convidando para uma segunda analise.

Um dos dípticos expostos retratam dois carros queimados no mesmo local. Olhando rápido parecem o mesmo carro. Você só percebe que não são o mesmo ao olhar novamente. O trabalho vai além da imagem fotográfica, se torna um registro da performance. Porém o espectador não sabe se o ato foi causado pelo artista ou a imagem é um retrato de algo já estava ali. A documentação pode ser fictícia. A verdade se torna aquilo que o artista escolheu retratar. Traçando um paralelo com o artista alemão Joseph Beuys, que baseou toda sua produção artística na história de um desastre vivido por ele. Beuys contou uma historia fantástica que após a queda de seu avião durante a segunda guerra ele foi salvo por uma tribo nômade que o enrolou em gordura animal e feltro. Quem vai questionar se o fato ocorreu ou não. A obra extrapola o limite da veracidade. O mesmo estranhamento ao olhar um trabalho de Beuys é causado pelos dípticos do Ding. A verdade é aquela que o artista conta.

Após ficarmos debatendo o que é e o que não é, que angulo Ding estava para tirar uma ou outra foto, se ele de fato queimou ou não um carro,  fomos ao seu atelier ver seu novo trabalho. Sua produção atual fala sobre o infinito, como se a obra de arte fosse uma tentativa do artista eternizar seu olhar, sua opinião. Assim como o conceito de infinito não cabe dentro da própria palavra, a ideia não cabe dentro da foto. Ding volta a questionar o limite da fotografia. A fotografia é somente um angulo de uma ideia muito maior. É o angulo escolhido pelo artista para contar a história. Esta experimentando trabalhos tridimensionais, ampliando sua técnica de estereoscopia. Técnica para obter informações de um espaço tridimensional  através da analise de duas imagens obtidas em pontos diferentes. O fato de nós humanos termos dois olhos, por exemplo, nos permite através da estereoscopia, ter a noção de profundidade espacial.  Os novos trabalhos do Ding são uma nova forma de continuar questionando como nosso olhar, assim como as obras, são frações do que de fato esta ali. A tentativa de captar toda uma idéia em uma obra é isso. Assim como Brancusi e sua coluna sem fim tentaram captar o infinito, Ding questiona a impossibilidade dessa totalidade. Voltaremos novamente antes de sua exposição em novembro para ver como esse trabalho evoluiu.

Texto _ Priscilla Nasrallah
Fotos _ Leka Mendes
Anúncios